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Introdução

Não é sem emoção que iniciamos este projeto, numa tentativa sem maiores pretensões, senão a de reconstituir os fatos ligados à criação do Estado Independente do Acre, de uma forma veraz e definitiva, trazendo-os à luz através da publicação e transcrição detalhada de todas as documentações originais (proclamas, decretos, circulares, etc) que lhe nortearam os primeiros passos da infância institucional, politica e administrativa. Um retrato enfim, forte e em alta definição, da verdadeira gênese do Acre. Que este trabalho possa contribuir para elucidar dúvidas e subsidiar, com a verdade histórica, o trabalho de professores, alunos, pesquisadores e historiadores que se interessem pelo tema. Além do material já citado, publicaremos também, de forma sequencial, farto material constando de recortes da imprensa da época, para que possamos, de forma comparativa e munidos de tais recortes e da documentação original, emitir juízos de valor mais consonantes com a realidade histórica acreana.

Quem foi Luiz Galvez Rodrigues de Arias?

Muito se tem questionado sobre os passos de Galvez. Pesquisando textos e reportagens de antigos jornais brasileiros e estrangeiros, encontramos algumas pistas esclarecedoras que nos permitiram, ao menos no que tange à sua passagem pelo Brasil, fazer um resumo seguindo alguns desses passos. De origem hispânica, nascido em Cádiz, há notícias de sua passagem pelos Estados Unidos, Argentina, São Paulo, Rio de Janeiro, Belém, Manaus e Recife, em alguns casos como empresário de jogos e diversões, em outros como jornalista ou chefe de redação em jornais do Norte, onde se aventurou a fundar a República do Estado Independente do Acre em 1899, sendo aclamado seu presidente, que após um efêmero governo, teve tal “república” dissolvida pelo governo brasileiro em 1900, sendo afastado do cargo. Em seguida desaparece, e apesar de ser dado como morto segundo algumas publicações, reaparece vivo em Madri, Espanha, ainda em 1900, onde é encontrado pelo coronel J. Rocha dos Santos, proprietário do jornal “Commercio do Amazonas”, com quem teve longa e agradável conversa, publicada em vários jornais brasileiros. Em algum momento após esse encontro, retorna ao Brasil, onde tenta recomeçar a vida empresarial com as casas de apostas no Rio de Janeiro. Tendo dificuldades com a polícia, que estava proibindo os jogos de azar, embarca para Manaus em 1902, onde é detido por ordem do então governador do Amazonas, Silvério Nery, sendo enviado para o Forte de São Joaquim, localizado na fazenda São Bento, no território amazonense do Rio Branco, atual estado de Roraima, de onde escapa, voltando para a Espanha e terminando seus dias na cidade de Cádiz, onde havia nascido.

PROCLAMAÇÃO

Página 01 - Capa do Proclama

Segue abaixo transcrição completa, página a página, do proclama.

Página 02

“Proclama lida e aprovada pelos representantes do povo dos territórios do Acre, Purus e Yaco na reunião celebrada na cidade do Acre, no dia 14 de julho de 1899. Filhos todos nós da grande e livre pátria brasileira, por haver sido ela o nosso berço ou por que como tal a adotamos, abandonamos um dia os lares em que vivíamos, vindo estabelecê-los nestas ferazes porém selváticas e bravias paragens amazônicas, que consideramos, como toda a gente, parte integrante do solo brasileiro. Nesta convicção julgávamos apenas ter mudado de residência sem todavia havermos ultrapassado as fronteiras do nosso país, dentro…”

Página 03

“…do qual e ao qual continuaríamos a prestar os nossos serviços, desbravando-lhe as matas virgens, extraindo-lhe os inumeráveis tesouros que em seu seio guarda, fomentando-lhe enfim, por meio de um trabalho rude, mas metódico e ininterrupto, a riqueza pública, abrindo e trazendo assim as vastas regiões amazônicas, maximé estas que habitamos, ao convívio do mundo civilizado. Tal era o nosso fim. Infelizmente e contra tudo que nos fora dado prever, este magnificente território que descobrimos, ocupamos e exploramos, derramando sobre ele a fluxo e sem cessar o nosso suor de trabalhadores infatigáveis, vendo tombar para sempre ao nosso lado milhares de corajosos, árdidos e lealíssimos companheiros, * * da insalubridade peculiar a estas regiões palustres, ou vítimas das flechas mortalmente …”

Página 04

“…hervadas dos índios bravios, transformando à custa de mil sacrifícios e privações quase incomportáveis para o homem, estas florestas inextrincáveis em que a morte traiçoeiramente se esconde atrás de cada tronco, sob as mais pequenas folhas, em belos e prometedores centros civilizados, povoando-os e fazendo deles enormes empórios de extraordinário tráfico comercial; enchendo-os de grandes estabelecimentos, ativando consequentemente a navegação e aumentando de maneira notável a riqueza do país, para o qual os nossos esforços se traduzem em milhares de contos de réis de receita, ao mesmo tempo que patenteávamos ao mundo absorto o que vale a liberdade maravilhosa destas terras, que por tanto tempo foram sequestradas ao conhecimento da maioria dos próprios brasileiros; difundindo, além disso, o uso da nossa sonorosa língua, ensinando-a ao índio, a quem…”

Página 05

“…não descuramos de catequizar a fim de os trazer ao grêmio da religião cristã, religião que foi a de nossos pais e será a dos nossos filhos. Foi, pois, dizíamos, com surpresa e doloroso espanto, que dum momento para o outro, sem prévio aviso nem comunicação oficial ou extra-oficial, vimo-nos expulsos de nossas residências, e assistimos perplexos, ao saque infame dos nossos estabelecimentos, à espoliação à mão armada, em suma, de tudo o que possuímos e que penosamente adquirimos, ao mesmo tempo que se nos impunha a obediência a uma nova bandeira, estrangeira, que por sobre nossas cabeças flutuava, substituindo ao glorioso Pavilhão auriverde, que para nós era tudo, pois em si sintetiza a grande Pátria brasileira!

Mal repostos ainda do profundo pasmo em que nos afundaram estes acon…”

Página 06

“…acontecimentos que a par da descrença, nos vieram trazer justíssimas intenções de rebelião, nascidas além de tudo, das leis draconianas e sem apelo, decretadas pelo ministro boliviano, que melhor andava ceifando-nos a vida duma só vez e a todos; desgostosos porque sem consulta nem consideração nos transformavam ex-abrupto em cidadãos bolivianos, sujeitando-nos a leis extranhas, arrancando-nos, portanto à força, a nossa nacionalidade, de que nos orgulhávamos, como se precitos miseráveis fôramos, resolvemos protestar bem alto contra os acontecimentos com os quais nunca concordaremos. Nobres e altivos porque de direito, se não de fato, pertencemos a uma grande nação, o Brasil, cumpríamos reagir, e é o que fazemos. Não discutiremos no atual momento os direitos hipotéticos ou históricos em que se funda o povo boliviano para…”

Página 07

“…para se apoderar dos territórios em que estão(em questão?); nem tampouco as razões políticas que obrigaram ao governo do Brasil a abandonar de vez o sistema, que desde a proclamação de sua independência, tem sido a norma em todas as questões dos territórios fronteiriços: considerar de uti possidetis como direito irrecusável e incontestável para a nação que de fato, embora não de direito, ocupar as zonas litigiadas. Apontaremos somente que o Brasil, ou o seu governo, nos abandonou e nos entregou à Bolívia, e que esta, depois de nos saquear tudo quanto lhe foi possível, nos desamparou e abandonou por sua vez! Ora, a verdade é que afinal, quem tem irrefragável direito de posse a estes terrenos, somos nós que os descobrimos e os povoamos; se a mãe pátria nos desampara, nós estamos no pleníssimo e incontestável dever de declarar a nossa independência como povo suficientemente orgulhoso para baixar a servir…”

Página 08

“…ao jugo de um país estrangeiro. O nosso direito funda-se na longa posse de toda esta região, consagrada pelo nosso trabalho e pelo sangue generoso de milhares de irmãos ; baseia-se na riqueza que aqui fomentamos e adquirimos. Não aceitaremos pois, a brutal desnacionalização. A pátria abandona-nos, nós criaremos outra. Discutiremos o pleito pacificamente se assim o quiserem; disputa-lo-emos com as armas na mão, até a última gota de nosso sangue, se tanto for mister. Em vista pois, da inabalável resolução em que todos nós unanimemente conviemos, em nome do povo, proclamamos a independência dos territórios do Acre, Purus e Yaco. Viva o Estado Independente do Acre!”

Fontes de Pesquisa

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